Pai. Filha.
Todo dia bem cedo eles caminham ao longo da rua. Pai. Filha. Ela está
indo para a escola. Ele a acompanha. Eles não dão as mãos. Não, ele não a
segura de nenhuma maneira. Não há pressa alguma. Ela caminha a passos
curtos, muito curtos, quase como se não quisesse chegar ao destino. Ele
segue ali, companheiro, respeitando o tempo. Ela para, vê as flores,
comenta suas cores. Ele, que sabe algo sobreaquilo, lhe ensina ali, sem
desperdiçar o momento. Ela segue, satisfeita, sempre muito devagar. Eles
dominam aquele tempo com o afeto que o tempo pede. Eu desacelero para
observar. Aquela ação que não é minha ganha reflexo em mim. Isso é real.
Ela, mais uma vez para, aponta os pássaros no céu, as árvores, os
cachorros, os carros, é infinita sua capacidade de observação. Ele, com
admirável paciência, a acompanha, presente ali em tudo. Nunca os vejo
chegar ao destino. Eu poderia escolher continuar ali, seguindo aquela
cena, mas penso em deixá-los a sós. Aquele é o tempo deles. Respeito.
Mas penso naquele tempo por todo o dia e, quando penso, sorrio um
sorriso contente dessa memória do dia. Contente por ver esse pai e essa
filha tão respeitosos um com o outro. Ela tão pequena, tão tranquila,
tão em paz. Ele tão protetor de sua liberdade, tão bom ouvinte, tão
disposto a entendê-la todo dia mais. Sinceramente desejo que eles sigam
assim: dedicando muito tempo a serem grandes companheiros dessa vida!



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