Me dá tua mão
Às vezes não é suficiente falar. Como explicar? Dizer muitas vezes
parece que cansa. Não dizer nunca parece que falta. Os gestos cotidianos
parecem ser poucos para que o outro perceba o tamanho. O tamanho parece
não condizer com o alcance. O que está no ar parece não ter pés no chão
e a lógica pode estar completamente turvada pela emoção. O impossível
se disfarça para se mostrar. O tempo multiplica a vontade de estar.
Sempre juntos. Sempre dois. Sempre ontem, hoje. Para sempre depois. O
amor, quando parece tão diferente, é porque é igual. É cada um com seu
cada qual. Não é cada metade que quer ter razão, é cada um inteiro ali,
sem muita conversação. Um ouve quando o outro cala e o silêncio se faz
quando não precisa de nenhuma explicação. Nosso amor é assim e ponto.
Agora vem, me dá tua mão.


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