Acorda. Tem névoa na sala.

 

 


 

No meio da noite acordei. Sede. Bebi um longo copo d´água. Ao terminar, o sono tinha ido embora. Peguei um livro, sentei em uma das pontas do sofá e, de repente, algo parecia estranho. Havia névoa na sala? A porta da varanda estava aberta e pensei se ela tinha entrado por ali. Estranho. Reparei bem ao redor, ainda na penumbra. Tudo névoa. Olhei para o livro em meu colo e quando voltei os olhos para o sofá eu estava na outra ponta dele. Não era ali que eu havia sentado originalmente. Ou era? Fiquei confusa. Por um momento achei que eu tinha esquecido onde havia sentado. Mas, ué, tinha certeza que...Bem, estiquei o braço para acender a luz. Nada. Ela não acendia. Tentei de novo. Nada. Será que faltou luz? Senti aflição. Larguei o livro. Me levantei para voltar ao quarto. Precisava acordar Marcelo e dizer que havia algo estranho em tudo aquilo. Senti uma forte tontura. Cheguei ao quarto já quase no chão. Me arrastei para subir na cama até conseguir acordá-lo para explicar o que tinha acontecido. Senti o toque de suas mãos enquanto falava. Acordei. De mais um dos muitos sonhos que costumo ter e que parecem tão reais toda vez. Sempre fico estranha quando isso acontece, porque sinto tudo como um descolamento entre alma e corpo. Como se ela tivesse saído para dar uma volta. Como se...sei lá... Difícil explicar. Já é de manhã e é só no que penso. Preciso distração. Pego o celular que estava carregando na tomada e descubro que ele não carregou...como se tivesse faltado energia à noite...

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