O depois é tarde

Celso, meu sogro, faleceu há alguns anos. Vez por outra, fico repassando mentalmente alguns de nossos muitos momentos em família, porque acho que é assim que mantemos aquela pessoa que tanto amamos viva em nós. Me pego dizendo de vez em quando “Seu pai faria assim, Du” pro meu marido ou pensando no que ele diria sobre uma ou outra questão. Não tivemos muitas conversas a sós. Foram bem poucas, se penso agora nisso. Não conversamos, por exemplo, sobre esses cadernos dele, que só vim a descobrir depois que ele se foi, nos mexidos de sua casa. E me dói isso. Fundo mesmo. Poderíamos ter tido momentos incríveis no entorno desses cadernos. Vejam essa letra, esse capricho, todo o projeto gráfico desses cadernos. Me digam: não é bacana? E essas são apenas algumas paginas, hein? Enfim…Essa é somente uma das conversas que sinto não ter tido com ele. Como pude perder essas histórias? Puxa, vida! Precisamos estar atentos pra não errar mais nisso. Vamos valorizar mais essas conversas com nossos pais, está bem? Vamos ouvir mais suas histórias, mexer com suas memórias, nos preencher com suas vivências e seus modos de fazer. Isso é parte do que nós somos também. E é isso que viverá em nós quando eles se forem. Façamos por eles e por nós. Ouçam, ok? Mesmo que eles não falem. Ouçam.



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