Repara

A chuva começa a cair suave. São pequenas gotas que vão descendo do céu. Imperceptíveis. Mínimas. Serenas. Pausadas. Não incomodam nem nos fazem apertar o passo. Brincam com a nossa percepção. É chuva mesmo ou não? “Espere, preste atenção”, pede o universo. Repara. Essas gotículas fazem um anúncio silencioso. Preparam os que estão atentos para algo maior que virá e, à medida que caem, tornam-se parte de nós. Adentram pelas roupas…pele…cabelo…às vezes pelos olhos. Matam em nós uma sede que é de vida. Elas querem mesmo entrar. E entram. Vão ficando em nós por muito tempo, acumuladas. Vez por outra saem em forma de lágrima, abraço, beijo, saudade… E é isso que a gente não percebe: elas anunciam uma torrente, curta ou duradoura, calma ou devastadora…importa? São transformações irreversíveis que nos inundam por dentro. O terreno em nós umedece, enternece feliz, trazendo para dentro da gente um pouco daquele cheiro bom, próprio da chuva ou de sementes germinando ou, aquele que é o melhor, o de caminhos se cruzando.


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